Meu amor Luiz,
Você mais do que ninguém sabe que eu não dispenso um filme ruim, nosso nome inventado para aquela categoria de produções também conhecida como água-com-açúcar: sempre tem um casal protagonista, um tempero que envolve um tanto de drama, outro tanto de riso… quase sempre um bocado de clichê de qualidade duvidosa, mas inevitavelmente a referência às tais “borboletas no estômago”.
Livros, poesias, filmes e séries tentam nos ensinar a identificar o amor de nossas vidas por meio dessa metáfora tão visual: um incômodo dos bons de sentir, uma ansiedade e insegurança que ao mesmo tempo também é coragem e excitação - a própria definição da tal paixão.
Eu esperava ansiosamente a oportunidade de sentir tudo isso, até que te encontrei.
Mas se tem algo sobre o qual as tais produções culturais estavam certas, não era sobre o quanto as borboletas no estômago são essenciais para a construção de um amor verdadeiro e sim sobre o quanto uma reviravolta faz qualquer história melhor. Então lá vamos nós:
Quem não conhece nossa história, provavelmente a essa altura da nossa celebração, já tenha recebido este spoiler, mas aqui, para o nosso enredo, é importante que eu diga também: eu não me apaixonei por você. Não à primeira vista, nem quando você se declarou tão corajosamente.
E foi por ansiar tão cegamente sentir tais borboletas no estômago que eu quase perdi a chance de reconhecer o amor.
Diferente da paixão, acho que para o amor não há metáforas universais porque ele é o mais singular dos sentimentos.
Eu, por exemplo, soube que te amava quando, ainda no comecinho do nosso relacionamento, senti sussurar em meus ouvidos uma vontade travessa de criar uma criança contigo só pra que ela herdasse seu lado engenhoso e curioso (ou maker boy, como diria uma de nossas queridas amigas aqui). Lembro que na época você me mostrava seu jogo de cartas de produção própria, com os devidos encaixes da embalagem milimétricamente construídos com papelão e fita adesiva.
Soube que te amava quando meus pés firmaram no chão e meu pulmão voltou a se encher de ar quando, em algum momento dos últimos dois anos, no auge do caos da pandemia e da minha sobrecarga de trabalho, você me resgatou da frente do computador; me abraçou; disse que se eu precisasse ou quisesse desistir de algum dos tantos pratos que eu estava tentando equilibrar, que estaria tudo bem também. Que lidaríamos com os cacos quebrados juntos.
Sei que te amo quando sinto minha gargalhada nascer no coração e explodir na boca por conta de uma piada contextual que só você é capaz de fazer. Dessas que começam em uma situação corriqueira e encontram seu desfecho só dias depois, em uma referência que só nós dois poderíamos entender.
Sei que te amo porque meus olhos decoraram o caminho dos poucos mais de 20 pelinhos grisalhos que você carrega na barba… porque meu couro cabeludo entra em festa com o seu exclusivo cafuné de piolho… ou porque me sinto abraçada por uma pelúcia, toda vez que temos nossos momentos família com o Valente, nosso filho peludo.
Sei que te amo quando o vento da estrada me invade de independência. Sempre lembro que por trás da autonomia de poder dirigir sozinha, lá esteve você, manhã após manhã, desapegado dos possíveis novos amassadinhos que eu poderia acrescentar ao seu carro. Sempre cheio de paciência, amor e elogios falsos, tão necessários para que eu pudesse me libertar dessa insegurança que me paralisou por mais de uma década. É tão bonito pensar que, por um lado, ser sua par foi justamente o que me tornou mais independente.
Sei também que te amo por conta da sensação de ter minha garganta petrificada toda vez que estamos separados e, por algum motivo bobo, desses que acontecem com todo mundo o tempo todo, perdemos contato por um híato suspeito e eu começo a imaginar se pode ter acontecido algo ruim e se eu posso ter te perdido.
E, principalmente, sei que te amo porque minha mente foi capaz de criar o cheiro e as cores de uma lembrança nunca existente, não aqui, nesse plano: eu te apresentando para minha mãe e ela ficando feliz pela gente.
Então meu amor, no passado pode até ter faltado a tal da paixão à primeira vista e as borboletas no estômago tão disseminadas por aí… Mas hoje eu te amo por meio de todas as metáforas que eu seria capaz de criar.
E eu, Laís, só não prometo te amar por toda a vida, pois aprendi a desconfiar das fórmulas da felicidade.
Mas eu prometo: te amar, te cuidar e te respeitar na eternidade em que escolhermos estarmos juntos. E hoje, cada pedacinho meu deseja isso para sempre!

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