Ainda não eram nem namorados, mas ela foi logo arrumando uma forma de soltar em uma conversa casual: “não gosto de ganhar flores”.
Argumentou sobre a falta de praticidade do presente; o projeto monetário por trás do simbolismo das rosas; o cheiro de cemitério. Escondeu, entretanto, o motivo principal, pois tão pouco ainda compreendia: flores eram o símbolo do pedido dramatizado de desculpas de um amor adolescente.
Não queria ganhar rosas pois repelia e somente conhecia a ideia de um amor que se alimentava no ciclo imaturo das reconciliações.
Que o outro errasse, tudo bem! Ela se dá esse direito também. Mas que as desculpas não fossem espetáculos, que o gesto não fosse vazio, que as palavras não fossem públicas e os erros repetidos para que tantas flores precisassem ser colhidas.
Por sorte e merecimento, teve a chance que daquela semente, a sua frente, nascesse um amor tranquilo com toda sua potência de ressignificar memórias, hábitos, inseguranças… confiança.
“Acho que agora eu gosto de flores”, inseriu mais de 5 anos depois em uma conversa. Disse dessa vez não como quem não quer nada. Pelo contrário, posicionou com a confiança de quem não tem receio de dizer o que quer, de quem aprendeu que nas relações não cabe não-ditos e adivinhações.
Pois não demorou, ganhou logo um arranjo de Protea - flor símbolo da transformação.
Ao meu amor Luiz, e à relação que cultivamos.

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Aceita um chá?