Sempre fica um cheiro que
transporta, uma música que recorda. Sempre há um lugar especial que faz lembrar,
e a piada que se ri sozinha porque outrora era compartilhada com uma única
pessoa, que hoje é somente recordação. Emociona, tira uma casquinha, mas então
você raciocina: tira da manga a defesa e da memória as briguinhas, as manias, o
ar denso que respiravam juntos. Obrigada a sua memória a completar a trajetória,
porque pra ser história precisa ter começo meio e fim.
E pra ser passado, via de regra, o
fim é ruim.
Problema grande mesmo é quando
era pra ser futuro.
Qualquer cheiro poderia ser o
dele, qualquer música poderia ser a nossa. Imaginação não respeita sinalização.
Vai passando, vai criando, vai rasgando.
Num gesto falso, você tenta
retomar o controle e evoca o contrapeso. Irrita-se: não se deu o trabalho de
inventá-lo.
E da nada adianta sua experiência
em relacionamentos acabados. Você está diante de um relacionamento não começado.
Perderam a hora de tanto adiarem
o instante. Seria ainda mais dolorido, não fosse também interessante.

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