28 de março de 2013

Sobre morangos e amores


 Presenteou assim... sem embrulho, sem cerimônia, sem motivo e sem a menor noção do quanto isto significaria:

- Plantei morangos para você.

   Seu pai, que nunca lembra de datas especiais, a deu nesse dia aleatório o presente mais afetuoso que ela já recebeu. Seu pai que raramente é o primeiro a dizer eu te amo... que nunca faria uma declaração de amor em público, que não compra uma caixa de bombons há uns 25 anos... Seu pai que não sabe uma única letra romântica, que ronca quando convidado para sessões de cinema, que prefere a familiaridade de sua cidadezinha o qualquer outro paraíso na terra.
  O mesmo pai que levanta todo dia de manhãzinha, que prepara todas as refeições em família, que foi bancário e aposentou-se pra tronar-se motorista, massagista, psicólogo, fonoaudiólogo e fisioterapeuta. O pai que respeita sua promessa de companheirismo na saúde e na doença, que estica os lençóis da cama todos os dias, que pinta o cabelo da mãe dela mensalmente... O mesmo pai que esquece datas de aniversários, mas lembra-se dos gostos de toda a família.
  Foi então ela percebeu:
  Existem dois tipos de homens: os que presenteiam buquês de rosas vermelhas e os que plantam morangos. Os que presenteiam rosas vermelhas são apaixonados. Os que plantam morangos sabem amar de verdade.
   Plantar morangos é muito mais difícil do que presentear rosas. Plantar morangos requer cultivo. Só planta morangos quem entende de raízes.
  Existem dois tipos de homens e várias formas de afeto: Ela quer mais uma vez a “sorte de um amor tranquilo, com sabor de fruta mordida.”

Um comentário:

Aceita um chá?