Era uma tarde de verão.
O clima de festa de despedida da empresa, embalado pelo ritmo repetitivo, unia
os amigos em círculos de afeto, mas excluía alguém da roda. Sentir-se só em
meio a multidões sempre foi uma de suas esquesitices.
Entediada, afastou-se aos poucos
e voltou o olhar para a grama. Foi quando o encontrou: o olhar travesso, o
sorriso sincero, os pezinhos no chão. Observou-o confusa. Ele e toda a sua
fofura se aproximaram vagarosamente, olhinhos fixos, bateu as mãozinhas rechonchudas
no joelho dela e disparou tortuoso pelo gramado, com a inexperiência de quem
mal aprendeu a andar e já se mete a correr. Enquanto corria, gargalhava com a
inocência e pureza de quem corre em sentido ao pique, como se esse fosse o
sentido da vida. Era o filho de uma de suas colegas de trabalho recrutando
coleguinhas de parquinho. Talvez ele tenha se enganado quanto a idade de sua
escolha, talvez ele simplesmente não se importasse.
Ela demorou, hesitou, mas
entendeu o sentido do toque em seus joelhos. “Comigo não morreu”, era isso que
diziam há 19 anos atrás, quando era ela a criança rechonchuda de 3 anos,
reinando em um gramado? Não importava, seu adversário de pega-pega nem sabia
falar e, provocativo, ensaiava passinhos de olé na sua frente. Prestou-se a
correr atrás dele, e logo estava rindo com a mesma verdade.
Sentiu-se menina. Sentiu-se
feliz. Correram em círculos, correram atrás das árvores, correram em volta da
piscina, correram em cima dos sofás até que ela sentiu-se exausta. Liberta que
estava, atirou-se no chão, braços e pernas estendidos, ventre voltado para o
sol.
Foi então que aconteceu o instante exato da fecundação: inesperadamente a criança, exausta também, aninhou-se em seu colo. Ouvidos no coração, gargalhada terna, nariz melequento. Foi assim que uma criança de três anos fecundou nela a vontade de ser mãe. Um amor intenso por um serzinho que mal conhecia a levou a sentir algo mais forte ainda, por alguém que ainda nem sequer existe.
Foi então que aconteceu o instante exato da fecundação: inesperadamente a criança, exausta também, aninhou-se em seu colo. Ouvidos no coração, gargalhada terna, nariz melequento. Foi assim que uma criança de três anos fecundou nela a vontade de ser mãe. Um amor intenso por um serzinho que mal conhecia a levou a sentir algo mais forte ainda, por alguém que ainda nem sequer existe.
Deitou-se menina, levantou-se
mulher. Com gramas no cabelo e o amiguinho nos braços, ela que há alguns
minutos atrás havia deixado de ver sentido na festa, aprendeu com uma criança o
sentido da vida: o pique-esconde – é lá que a correria pausa e se tem tempo pra
respirar e ser feliz.
Un giorno saprai che ogni donna è matura
ResponderExcluirall'epoca giusta e con giusta misura
E in questa tua corsa incontro all'amore
ti lasci alle spalle il tempo migliore
Eu ia colocar a parte traduzida, mas como eles fizeram musica do seu texto, voce sabe que isso significa "Mas um dia saberá que toda mulher amadurece cada uma no seu tempo certo.
E que na sua pressa para encontrar o amor está deixando de viver o melhor da sua idade." =p